05/10/2013

#Resenha 12 - O sedutor mistério de A Sombra do Vento



http://3.bp.blogspot.com/-z7rF9LK451I/UA1MiPVT1cI/AAAAAAAAAA4/Y9ngEcoKa38/s320/a_sombra_do_vento.jpgTitulo: A Sombra do Vento
Titulo Original: La sombra del viento
Autor: Carlos Ruiz Záfon
Gênero: Literatura Espanhola, Mistério, Romance 
Editora: Objetiva
Tradução por Marcia Ribas
Perfil no Skoob: [www]
ISBN: 85-7302-604-9
Avaliação pessoal: ♥♥♥


Numa madrugada de 1945, em Barcelona, Daniel Sempere é levado por seu pai a um misterioso lugar no coração do centro histórico: o Cemitério dos Livros Esquecidos. Lá, o menino encontra A Sombra do Vento, livro maldito que mudara o rumo de sua vida e o arrastará para um labirinto de aventuras repleto de segredos e intrigas enterrados na alma obscura da cidade. A busca por pista do desaparecido autor do livro que o fascina transformará Daniel em homem ao iniciá-lo no mundo do amor, do sexo e da literatura.
Numa narrativa de ritmo eletrizante que mistura gêneros como o romance de aventuras de Alexandre Dumas, a novela gótica de Edgar Allan Poe e os folhetins amorosos de Victor Hugo, Carlos Ruiz Zafón mantém o leitor em estado de contínuo suspense. Ambientada na Espanha franquista da primeira metade do século XX, entre os últimos raios de luz do modernismo e as trevas do pós-guerra, A Sombra do Vento é uma obra sedutora, comovente e impossível de largar. Uma grandiosa homenagem ao poder místico dos livros.

Durante umas das minhas andanças entre livros poucos conhecidos e quase que abandonados em prateleiras de bibliotecas públicas, conheci esse romance tão sedutor, que nos envolve e faz nosso coração palpitar mais rápido a cada nova página virada e a curiosidade latente de saber qual o final da história.

[Continue lendo e veja o final da resenha e trechos do livro]

Em A Sombra do Vento, conhecemos o pequeno Daniel de apenas 11 anos e, o acompanhamos até o desenrolar da vida. Um garoto inocente que cresce dentro de um mistério tão bem estruturado por Ruiz Zafón, um mistério que jamais vi igual ou parecido em grandes obras do gênero romancista misterioso (não sei se algo assim realmente existe, me refiro ao gênero, porém, se já não existe acabei-o cria-lo com muito amor).
Daniel começa nos contando com uma grande riqueza de detalhes e sentimentos como foi acordar no seu aniversário de 11 anos e constatar que já não mais se lembrava do rosto da falecida mãe, uma das muitas vítimas da guerra. Seus pai, depressivo pela perda da esposa, decide levar seu filho a um lugar inimaginável: O Cemitério dos Livros Esquecidos. Lá, Daniel tem a missão de percorrer o labirinto de livros soterrados pela humanidade e achar aquele que será o seu protegido. Assim como se estivesse predestinado, Daniel encontra uma obra não apenas esquecida como quase não conhecida: A Sombra do Vento do escritor Julian Carax. Após se perder nas páginas daquele romance que narra a história de um filho em busca de seu pai biológico, Daniel se vê curioso em conhecer mais sobre Julian Carax, autor extremamente pouco conhecido que tem uma vida quase que como apagada do tempo. Logo, a vida de Julian Carax passa a se tornar misteriosa e intrigante, e como tal são os mistérios bons, perigosa também: Daniel se vê perseguido por alguém que se auto intitula Coubert, a personificação do Diabo na obra A Sombra do Vento, que, assim como um demônio saído das páginas de um romance esquecido, persegue todas as obras de Julian Carax para queima-las em seguida e apagar de vez a existência do jovem escritor.
E é nessa busca por Carax que Daniel se envolve em um mistério surreal e emocionante, que a cada nova pista desse enigma nos prende cada vez mais. Porém, não hão de achar que romance é policial, pois ele não é, não é como Agatha Christie ou Sherlock Holmes. É um romance misteriosos e fantasioso sim, mas com os traços românticos e cenas góticas que comparo ser semelhantes as de meu amado corvo Edgar Allan Poe.
Um dos pontos mais emocionantes nesse livro é a estrutura do texto, cheia de passagens hipnotizantes. Porém, nem tudo há de ser flores afinal! Um ponto desfavorável que encontrei nessa obra foi o uso de um vocabulário composto algumas vezes por palavras complicadas e completamente formais, porém, não é nada cansativo que nos força a ler mais o dicionário que o próprio livro em si. São palavras formais que não são de uso comum atualmente, algo mais utilizado mesmo para embelezar mais a desenvoltura de livros.
Acho que vale muito se aventurar nessas paginas tão pouco reconhecidas aqui no Brasil. E para deixar todos com um gostinho amais, finalizo esse post com alguns trechos góticos que em suas pequenas linhas representam visualmente muito do que citei acima.

“- Não, eu nunca me confundo de pessoa. Para outras coisas, sim, mas nunca de pessoa. Quanto quer por ele?
- Por quê?
- A Sombra do Vento.
[...]
- E o senhor, para que quer o livro? Não me diga que é para lê-lo.
- Não. Sei de cor.
- O senhor é um colecionador?
- Algo parecido.
- Possui outros livros de Carax?
- Tive-os em algum momento. Julian Carax é minha especialidade, Daniel. Percorro o mundo procurando seus livros.
- E o que faz com ele se não os lê?
Extraiu então uma caixinha de fósforos do bolso. Pegou um e acendeu. A chama iluminou pela primeira vez o seu semblante. Minha alma gelou. Aquele personagem não tinha nariz, lábios ou pálpebras. Seu rosto era apenas uma mascara de pele negra e cicatrizada, devorada pelo fogo.
- A única coisa que se deve fazer com eles Daniel... Queima-los.”

“ -  Julian não tinha irmãos nem irmãs?
A zeladora deu de ombros, suspirando.
- [...] As pessoas adoram fofocas, a verdade é essa. Certa vez, Julian contou aos meninos da escada que tinha uma irmã que só ele podia ver, que saia dos espelhos como se fosse de vapor, e que vivia com o próprio Satanás num palácio debaixo de um lago.”

“- Jesus, Maria e José – murmurou a zeladora junto de mim.
O quarto estava infestado de crucifixos. Eles pendiam do teto, ondulando na ponta de cordões, e cobriam as paredes, presos em pregos. Contavam-se ás dezenas. Era possível adivinha-los no canto das paredes, gravados a faca nos moveis de madeiras, riscados na lajotas, pintados em vermelho nos espelhos. As pisadas que chegavam até a entrada da porta traçavam um rastro na poeira em torno de uma cama nua, onde se via apenas um estrado de rede metálica, agora um esqueleto de arame, com a madeira carcomida em volta. Num extremo da alcova, sob a janela da claraboia, havia uma escrivaninha fechada e coroada por um trio de crucifixos de metal. [...]”
“O homem mais sábio que conheci [...], me havia explicado certa ocasião que não existia na vida experiência comparável à primeira vez em que se despe uma mulher. Sábio como era, ele não havia mentido, mas também não havia me contado toda a verdade. Não dissera nada sobre aquele estranho tremor das mãos que transformava cada botão, cada silencio, em uma tarefa de titãs. Nada dissera sobre aquele feitiço de pele pálida e tremula, sobre aquele primeiro roçar dos lábios, nem sobre aquela alucinação que parecia arder em cada poro da pele. Nada me contou sobre tudo aquilo, porque sabia que o milagre só acontecia uma vez e que, ao faze-lo, falava uma linguagem de segredos que, assim que eram descobertos, desapareciam para sempre. [...]”


Beijos, e até o próximo post.
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Um comentário:

  1. Adorei sua resenha! Tava desejando esse livro há tempos, aproveitei a Black Friday e comprei a trilogia toda, rs.

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